Os exames que os homens mais ignoram (e por que eles são importantes)

No Brasil, os homens vivem, em média, sete anos a menos que as mulheres. A diferença não se explica apenas pela biologia, mas, principalmente, pelo hábito de adiar o cuidado com a própria saúde.
Doenças como diabetes, colesterol alto e hipertensão evoluem de forma silenciosa e só dão sinais quando já estão em estágio avançado. Fazer exames preventivos é a maneira mais simples e eficaz de detectar alterações cedo e evitar complicações sérias.
Novembro Azul é um bom momento para lembrar: prevenir não é uma campanha, é um hábito.
Check-up masculino: o que não pode faltar
Fazer um check-up não significa passar horas no hospital nem gastar uma fortuna.
A ideia é simples: monitorar marcadores de saúde básicos, que mostram como o corpo está funcionando e permitem agir antes que um problema apareça.
Os principais exames que todo homem deveria incluir na rotina são:
- Hemograma completo
Avalia glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas — detecta infecções, anemias e inflamações.
- Glicemia de jejum
Mede o nível de açúcar no sangue e ajuda a identificar diabetes ou risco aumentado de desenvolver a doença.
- Colesterol total e frações (HDL, LDL, triglicerídeos)
Importante para avaliar risco cardiovascular. O colesterol alto não causa sintomas, mas é um dos principais fatores de infarto e AVC.
- Função renal (ureia e creatinina)
Indica se os rins estão filtrando corretamente o sangue — problema comum em pessoas com pressão alta ou diabetes.
- Função hepática (TGO, TGP, GGT)
Mede a saúde do fígado, afetado por consumo de álcool, medicamentos ou doenças metabólicas.
- PSA e toque retal (a partir dos 50 anos)
Exames usados no rastreamento do câncer de próstata. Devem ser feitos com orientação médica e acompanhamento regular.
- Eletrocardiograma ou teste ergométrico (conforme indicação médica)
Avaliam a saúde do coração, especialmente para quem tem histórico familiar ou faz pouca atividade física.
Por que tantos homens ainda evitam o check-up?
Pesquisas mostram que mais de 60% dos homens só vão ao médico quando sentem sintomas graves. Desde cedo, muitos aprendem a suportar o desconforto e a procurar ajuda só quando algo está errado.
Outro obstáculo é o modelo de cuidado: burocrático, pouco acolhedor e centrado na doença, não na prevenção. O resultado é previsível — exames adiados, diagnósticos tardios e doenças que poderiam ser evitadas com uma simples visita ao laboratório.
A boa notícia é que essa cultura está mudando: cada vez mais homens entendem que se cuidar é investir em qualidade de vida, e não reagir quando o corpo cobra.
Escrito por
Leticia Genesini
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